12.05.2015
As Oportunidades que a crise traz

O risco de racionamento e a alta nas tarifas de energia não trazem boas consequências para o mercado de trabalho. Esses são alguns dos fatores que têm contribuído para o aumento na taxa de desemprego no País. No entanto, profissionais de diferentes áreas podem enxergar nesse momento de dificuldades para a economia uma série de oportunidades para conquistar novos negócios ou avanços em suas carreiras. Empresas de todos os portes estão procurando o caminho da eficiência energética e da cogeração como formar de enfrentar a atual crise. Por outro lado, condomínios e até residências unifamiliares procuram na energia fotovoltaica uma alternativa para ter alívio na conta de luz. Quem aproveitar da melhor forma essa tendência sairá fortalecido da tão temida recessão.

O engenheiro Fernando Milanez, diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), afirma que a atual crise tende a aumentar a demanda por serviços de engenheiros, arquitetos e técnicos nas áreas de energia elétrica e térmica. A conjuntura é propícia para se aprimorar os conhecimentos sobre iluminação, motores elétricos e produção de energia elétrica. Especialmente para profissionais de engenharia, o mercado deve abrir, segundo ele, mais vagas para quem têm domínio sobre energia eólica, fotovoltaica e até de pequenas centrais hidrelétricas.

Quando o assunto é capacitação, alguns cursos podem de fato abrir portas, segundo Milanez. Sobretudo para atuar em projetos de cogeração, é indicado estudar os fundamentos de termodinâmica e de geração de energia a partir do diesel, óleo combustível, gás natural e biogás. São esses combustíveis que alimentam geradores de fábricas, shoppings e prédios públicos que estão adotando essa alternativa. Vale a pena também estudar processos de eficiência energética, medição e verificação de resultados e de redução de emissão de gases poluidores. No entanto, mais do que conhecimento tecnológico, o mercado tenderia, de acordo com ele, a preferir profissionais com melhor compreensão das consequências para o meio ambiente de cada processo. “Conhecimentos básicos de sustentabilidade são fundamentais e serão no futuro um diferencial”, resume Milanez.

Deve aumentar também a procura por projetos arquitetônicos que aproveitem melhor a ventilação e a iluminação natural. Esses são aspectos importantes num prédio para a economia de energia e arquitetos que os dominem bem largam na frente. Ana Carolina Resende, gerente de negócios da empresa de recursos humanos Robert Half, afirma que tem crescido a procura por engenheiros com especialidade em energias renováveis. Nos últimos tempos, a crise hídrica impulsionou a vinda para o Brasil de várias empresas voltadas para a energia eólica, que tem procurado profissionais que dominem essa tecnologia. Segundo Ana Carolina, o momento é bastante oportuno também para pessoas de diferentes áreas de conhecimento que acumularam experiência em eficiência energética. “A experiência nunca se joga fora. Vemos profissionais com mais de 30 anos de carreira abrindo sua própria empresa e atuando como consultores”, aconselha ela.

Carlos Vitor Strougo, diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH-RJ), ressalta que a escassez de energia tem estimulado a criação de projetos de geração mais ousados. Além de conhecimentos tecnológicos, consultores especializados em estudos de viabilidade econômica tendem a ser mais solicitados para tornar os desafios uma realidade. Para ele, os profissionais que tiverem um domínio mais completo das energias alternativas tem como principal vantagem poder abrir sua própria empresa. “Além de estar atualizado em relação às novidades tecnológicas, o profissional precisa entender o contexto em que está atuando. Esse é um aspecto importante no mundo das energias alternativas. Com uma formação ampla, ele tem todas as condições de ser um pequeno ou micro empresário de sucesso”, avalia Strougo.

 

FONTE: https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2015/05/oportunidades-que-crise-traz/26205

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